
Comprei Lucille na Black Friday de 2015 e finalmente encarei a dica de um amigo meu. Jean (antigo colaborador do Pausa) há anos me indica essa história. Hoje eu finalmente deixei de lado tudo para escrever novamente esse post sobre como Lucille, Arthur e sua história tocaram meu coração.
Vocês já cansaram de me ouvir falar que acho a escrita dos franceses bem chatinha para dizer a verdade. Felizmente alguns franceses me surpreendem a cada dia e Além do Modiano (que eu poderia casar), Ludovic conseguiu me conquistar logo no primeiro traço.
Trabalhando temas tabus com naturalidade, sensibilidade e de forma muito delicada. Ludovic joga na mesa para ser discutido casos de suicídio, anorexia e violência. E você fica do outro lado se perguntando como ele consegue fazer isso sem te agredir na leitura em nenhum momento. De uma força melancólica e apaixonante ele te prende em uma colmeia de sentimentos que te prendem em uma dor constante, mas que aos poucos se transforma em amor.
Lucille também é uma história sobre amadurecimento, Enquanto Ludovic nos apresenta seus personagens desde a infância, conseguimos compreender como os acontecimentos da vida durante seus primeiros momentos, podem significar traumas para o resto da vida. Como o peso da família pode interromper uma etapa da vida onde estamos tão frágeis pelo turbilhão de sentimentos que ainda não aprendemos a lidar.
Com um traço simples, mas expressado de forma surreal em vários momentos, o francês Ludovic nos ensina formas diferentes de olhar para as derrotas, os amores e as fugas. Estamos sempre presos, mas constantemente correndo.
Uma história surpreendentemente triste e profunda, mas com felicidade em pequenas doses para nos abraçar durante a caminhada. Lucille é uma grata surpresa.