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fiammetta

Dum spiro, spero ad vitam aeternam. Aries. 23yo. Atelophobia, tears and a lot of fame.

Por muito tempo eu tentei te odiar. Foram meses tentando aceitar o fato de que você tinha se cansado de mim e nunca voltaria. As semanas se acumulavam como poeira, e eu ainda sentia falta da sua presença em cada canto da minha casa; na poltrona ao lado da cama, recostado na bancada da cozinha... Você adorava meu piano, não era? Adorava tentar tocá-lo, ignorando meu conselho de que suas mãos foram feitas para outras coisas. Eu adorava sua proteção exagerada, seus abraços sempre carinhosos. Lembra de quando lemos aquela creepypasta do Mario Bros e ficamos morrendo de medo? Você me ajudou a dormir e ficou acordado a noite toda, ao meu lado. Sempre soube que não merecia tanto carinho vindo de ti, por mais que você me colocasse no mais alto pedestal, meu lugar era no posto mais baixo. Perdoou meus erros, aceitou meus defeitos e me amou incondicionalmente. Queria eu ser capaz de fazer o mesmo. Eu tenho certeza de que também te amei – e muito -, mas da forma errada. Um amor egoísta o bastante para me dar o direito de monopolizar e exigir seus sentimentos apenas para mim, mas não certo o suficiente para me deixar ser apenas sua. Por que você não reclamava? Nós brigávamos, discutíamos quase diariamente, mas nos amávamos. Juntos éramos fogo, aquecíamos um ao outro e queimávamos tudo que não nos importava. Nada mais importava. Porém a chama foi reduzida a uma mera fagulha no dia em que você me deixou. Acho que nunca saberei a segunda pergunta que você queria me fazer, e eu sequer te dei a chance. Garota burra. Garota idiota. Você, Guilherme M. Xavier, foi embora e levou uma parte de mim. Eu te trouxe o caos, você me presenteou com o vazio. Tratei-te como vidro, frágil e prestes a se quebrar. Passei dois anos me agarrando aos cacos de uma memória distante, partida por puro capricho da minha parte. “Como pôde fazer isso? Tu me amavas, que direito tinhas, então, de me deixar?” Foram oito meses encarando a paisagem pela varanda, esperando te ver chegando nem que fosse para dizer adeus. Qualquer pessoa desistiria após tanto tempo, mas você me conhece. Eu sou Katherina Lee. Bem, te procurei em todos os lugares, revirei qualquer canto onde pudesse ter pelo menos uma certeza de que você existiu um dia. Parece que o destino foi bondoso e te trouxe de volta depois de tanto tempo, não é? Eles jogaram gasolina nas nossas cinzas, agora temos chance de voltarmos a ser incêndio. Catherine e Heathcliff.
“Whatever our souls are made of, his and mine are the same”